Câncer de pulmão: prevenção, sinais de alerta e tratamentos atuais

O câncer de pulmão é um dos tumores mais comuns e letais do Brasil e do mundo, com alta incidência especialmente em idosos. Embora tabagismo e câncer de pulmão tenham grande ligação, nem todos os casos estão ligados ao cigarro e a fatores ambientais, mas sim a questões genéticas.

Nas últimas décadas, inclusive, a oncologia clínica avançou de forma significativa nesse contexto, permitindo um novo entendimento sobre a doença e tratamentos mais personalizados.

Entenda abaixo mais sobre o câncer pulmonar, seus sintomas, fatores de risco, formas de diagnóstico e as principais opções terapêuticas disponíveis:

Câncer de pulmão: o que é e como acontece

O câncer pulmonar surge quando células do pulmão começam a se multiplicar de maneira desordenada. Isso é o que forma tumores, que podem comprometer a função respiratória e invadir outros tecidos, se espalhando pelo corpo. O diagnóstico dessa doença é mais comum a partir dos 60 anos, mas ela pode acontecer antes, especialmente em pessoas expostas a fatores de risco.

Embora o cigarro seja o principal causador do câncer pulmonar, há outros fatores de risco para câncer de pulmão. Entre eles, estão a exposição constante à poluição, o contato com substâncias tóxicas no ambiente de trabalho e predisposição genética. Isso explica por que o câncer de pulmão ocasionalmente aparece em quem não fuma.

Fatores de risco

Alguns contextos ou hábitos aumentam a possibilidade de uma pessoa desenvolver a doença. No caso do câncer pulmonar, é possível citar questões que danificam progressivamente as células desse órgão – e, entre eles, estão:

  • Exposição prolongada a substâncias tóxicas (como amianto, sílica, metais pesados e fumaça de diesel) no trabalho;
  • Tabagismo ativo ou passivo;
  • Exposição frequente à poluição do ar;
  • Histórico familiar da doença.

Rastreamento e prevenção

A prevenção do câncer de pulmão tem ligação direta com a redução da exposição aos fatores de risco, especialmente parando de fumar no caso de tabagistas. Já o **rastreamento de câncer de pulmão** é indicado para grupos de risco, e pode ser feito a partir de tomografia de baixa dose do pulmão. Esse exame é capaz de identificar lesões iniciais antes mesmo do surgimento dos sintomas.

Sintomas e sinais de alerta

Os sinais de câncer pulmonar podem ser inespecíficos no início, dificultando o diagnóstico precoce. Conforme a doença progride, porém, os principais sintomas de câncer de pulmão podem surgir. São eles:

  • Tosse persistente;
  • Falta de ar;
  • Dor no peito;
  • Perda de peso sem causa aparente.
  • Rouquidão persistente;
  • Cansaço intenso e progressivo;
  • Presença de sangue no escarro;
  • Falta de ar progressiva mesmo durante atividades leves.

Diagnóstico

A suspeita costuma surgir a partir de sintomas ou exames de rotina. Ela é então confirmada por métodos específicos, como:

Tomografia de tórax

A tomografia é um exame que permite visualizar alterações nos pulmões, como um nódulo pulmonar. Além disso, esse exame também permite avaliar o tamanho, a forma e as características de uma lesão.

Biópsia

A confirmação do diagnóstico só acontece após a biópsia, que consiste em coletar uma amostra de tecido para análise em laboratório.

Exames moleculares

Esses exames analisam as características genéticas do tumor. Os dados extraídos nesses exames ajudam a encontrar possíveis “alvos” únicos no tumor, possibilitando o uso de terapias-alvo para câncer de pulmão. Esses tratamentos costumam ser personalizados e têm boa resposta.

Tratamentos

O tratamento do câncer de pulmão vem passando por uma transformação importante nos últimos anos. Hoje, não existe uma única abordagem padrão, e a escolha depende do tipo do tumor, do estágio da doença e das características únicas de cada tumor. Isso significa que o plano terapêutico está cada vez mais personalizado, combinando estratégias para aumentar a eficácia a preservar a qualidade de vida do paciente.

A escolha da melhor combinação de terapias fica a cargo do médico oncologista, que tem a expertise necessária para avaliar cada um de maneira individual e optar pela estratégia mais vantajosa para o paciente.

Conheça abaixo algumas das opções:

Cirurgia

A cirurgia costuma ser a principal opção para casos em que o tumor está em estágios iniciais e ainda é localizado no pulmão. O objetivo dela é remover completamente a área afetada, o que pode envolver desde a retirada de uma pequena porção do pulmão até de um lobo temporal inteiro.

Atualmente, técnicas minimamente invasivas permitem recuperação mais rápida e menos impacto na funcionalidade dos pulmões. Mesmo após a cirurgia, pode ser necessário complementar o tratamento com outras terapias para reduzir o risco de recidiva.

Radioterapia

A radioterapia usa feixes de radiação direcionados para destruir as células tumorais. Ela pode aparecer em diferentes cenários: como terapia principal em pacientes que não podem fazer cirurgia, ou como complemento após a operação ou até para controle de sintomas em estágios avançados.

Com avanços tecnológicos, é possível direcionar a radiação com alta precisão, preservando ao máximo o tecido saudável em torno do tumor e reduzindo efeitos colaterais negativos.

Quimioterapia

A quimioterapia é um tratamento sistêmico, ou seja, um medicamento que circula pela corrente sanguínea para atingir células cancerígenas até além das que estão no pulmão. Ela pode ser usada antes da cirurgia (para reduzir o tumor), depois dela (para eliminar células que podem ter restado no corpo) ou como tratamento principal em casos avançados.

Embora tenha efeitos colaterais como queda de cabelos e náuseas, as opções de quimioterapias atuais são mais seguras. O tratamento conta também com medicações de suporte, que melhoram a tolerância a ela e ajudam com efeitos colaterais.

Imunoterapia

A imunoterapia para câncer no pulmão é um dos maiores avanços recentes do contexto. Diferente da quimioterapia, ela não age diretamente no tumor, mas sim estimula o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer e atacar as células cancerígenas.

Especialistas indicam esse tratamento para alguns casos definidos por exames que avaliam marcadores (características específicas). Em alguns pacientes, a resposta pode ser duradoura, com controle prolongado da doença e menos efeitos colaterais em comparação com terapias tradicionais.

Terapias-alvo

A terapia-alvo para câncer de pulmão se baseia em identificar alterações genéticas específicas nas células tumorais que podem atuar como “alvos”. Os medicamentos então “miram” nessas alterações, bloqueando o crescimento e a multiplicação do câncer. Por serem mais direcionadas, essas terapias tendem a ser mais eficazes em alguns perfis de pacientes, além de menos efeitos colaterais em comparação com a quimioterapia.

Na prática clínica, o uso dessas estratégias permite um cuidado mais preciso e personalizado. Por isso, pacientes com câncer de pulmão devem passar por testes moleculares para que o tratamento seja adequado.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

O diagnóstico precoce é um dos principais fatores que aumentam as chances de sucesso no tratamento. Quando se identifica a doença em estágios iniciais, é possível tratá-la com mais eficácia e menor impacto na qualidade de vida do paciente.

Como médico oncologista, acredito que o cuidado deve ser individualizado. O papel do oncologista clínico é integrar informações clínicas, exames e características do paciente para definir a melhor estratégia terapêutica, sempre com comunicação clara e foco na adesão ao tratamento.

No vídeo abaixo, explico mais sobre minha atuação como oncologista em São Paulo:

Mais sobre câncer pulmonar

Quais são os primeiros sintomas do câncer de pulmão?

Os sintomas iniciais costumam ser discretos, envolvendo tosse persistente e cansaço. Quando esses sintomas não melhoram ou se unem a falta de ar, dor no peito, perda de peso sem causa aparente e presença de sangue no escarro, é importante buscar um especialista com urgência.

Quem deve fazer rastreamento para câncer de pulmão?

O rastreamento é indicado especialmente para pessoas com histórico de tabagismo significativo, especialmente acima dos 50 anos, mesmo que já tenham parado de fumar. Isso é ainda mais importante para quem tem histórico familiar de câncer ou de exposição prolongada a certas substâncias cancerígenas.

Câncer de pulmão pode acontecer em quem nunca fumou?

Embora seja menos comum, o câncer em quem nunca fumou pode acontecer por fatores como poluição, exposição ocupacional e predisposição genética.