Câncer de colo de útero: como prevenir, reconhecer os sinais e entender os tratamentos

O câncer de colo de útero é um dos tumores ginecológicos mais comuns do mundo e costuma afetar principalmente mulheres entre 30 e 50 anos de idade. A doença acontece por alterações nas células cervicais e tem progressão lenta, podendo levar anos até se manifestar de forma perceptível. O que muita gente não sabe, porém, é que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), quase todos os casos desse câncer têm relação com o HPV, uma doença altamente evitável e tratável.

Confira abaixo mais informações sobre o câncer de colo de útero, as chances de cura, as possibilidades terapêuticas e mais aspectos importantes para entender a doença e preveni-la.

Câncer de colo de útero: o que é, relação com HPV e mais

O câncer cervical é um tipo de tumor que se desenvolve nas células do colo de útero, região que liga o canal vaginal com o útero. Na maioria das vezes, ele começa a partir de alterações chamadas de lesões pré-cancerosas, que podem (ou não) evoluir lentamente ao longo de vários anos até que se tornem malignas. Esse crescimento gradual é justamente o que permite que a doença seja detectada precocemente em exames de rotina.

A doença tende a afetar com mais frequência mulheres adultas que têm entre 30 e 50 anos. Isso acontece porque o processo de transformação das células geralmente leva tempo para acontecer após a exposição a fatores de risco.

O comportamento do câncer de colo de útero pode variar bastante. Quando identificado em fase inicial, a necessidade de tratamentos agressivos é menor, e as chances de cura são mais altas. Já em estágios avançados, o tumor pode invadir tecidos próximos ou se espalhar para outras regiões do corpo (metástases), tornando o tratamento mais complexo.

Globalmente, o câncer de colo do útero ainda é uma causa importante de mortalidade feminina, principalmente em regiões com menor acesso a rastreamento do câncer cervical e vacinação. No entanto, quando a doença é detectada e tratada de forma adequada, as taxas de cura podem ultrapassar 90%.

Câncer de colo do útero e HPV: qual a relação?

A ligação entre HPV e câncer é uma das mais bem estabelecidas na oncologia. O HPV, ou papilomavírus humano, é um vírus transmitido principalmente pelo contato sexual – e alguns dos muitos tipos desse vírus, chamados de tipos de alto risco, estão diretamente relacionados ao surgimento do câncer cervical.

A infecção por HPV pode ser silenciosa, especialmente quando causa sintomas internos e invisíveis ao paciente. Ele permanece no organismo por muitos anos, e pode causar alterações nas células do colo do útero. Essas alterações têm potencial de, lentamente, evoluir para câncer cervical. Isso significa que nem toda infecção por HPV leva ao câncer, mas que a infecção pelo vírus é um fator de risco importante para o desenvolvimento do câncer.

É por isso que utiliza-se, no mundo todo, a vacina do HPV para prevenção de câncer. Aplicada precocemente, de preferência antes do início da vida sexual, ela previne muito a infecção pelo vírus e, com isso, o surgimento de lesões que podem evoluir para câncer.

Sintomas de câncer de colo do útero

Os sinais de câncer cervical muitas vezes não são perceptíveis em fases iniciais da doença. Em muitos casos, o tumor permanece silencioso por anos, sendo detectado apenas em exames de rastreamento. A “invisibilidade” do câncer, inclusive, é maior quando a paciente deixa de lado as idas ao ginecologista.

Quando surgem, os sintomas indicam que a doença já pode estar em estágio avançado. Sendo assim, os sinais de alerta para investigar câncer cervical podem incluir:

  • Sangramento vaginal fora da menstruação;
  • Sangramento após a relação sexual;
  • Corrimento vaginal persistente;
  • Dor pélvica persistente.

Diagnóstico

O diagnóstico de câncer cervical envolve exames que permitem identificar alterações celulares e confirmar a presença de um tumor. Esse processo costuma começar com testes de rastreamento e, diante de uma suspeita, prossegue com exames mais detalhados. Entenda abaixo quais exames podem estar envolvidos no processo:

Papanicolau

O papanicolau, exame preventivo comum em consultas ginecológicas, é o principal método de rastreamento da doença. Ele consiste na coleta de células do colo do útero para análise em laboratório, permitindo identificar alterações precoces – ou seja, das lesões pré-cancerosas.

Colposcopia

Quando o exame preventivo indica alterações, o médico pode solicitar uma colposcopia. Nesse procedimento, examina-se o colo do útero com um aparelho que permite a ampliação da imagem. Ele pode, ou não, ser finalizado com a retirada de parte de uma lesão suspeita para análise (biópsia).

Biópsia

Se durante a colposcopia o médico identificar áreas com alterações, ele pode realizar uma biópsia. Nesse exame, retira-se uma pequena amostra de tecido para análise laboratorial, algo que pode confirmar ou descartar a presença de câncer.

Tratamento

As etapas do tratamento para câncer de colo de útero dependem de vários fatores, incluindo o estágio da doença, o tamanho do tumor e as condições clínicas da paciente. A estratégia terapêutica costuma ser definida por uma equipe multidisciplinar dentro da oncologia clínica. Conheça abaixo as técnicas possivelmente envolvidas no tratamento:

Cirurgia

A cirurgia costuma acontecer principalmente quando a doença está em estágios iniciais. Isso porque, nesses estágios, o tumor ainda está restrito ao colo do útero – e, sendo assim, é possível operá-lo. Dependendo do caso, essa cirurgia pode envolver desde a retirada de uma pequena área do colo até a remoção completa do útero.

Radioterapia

A radioterapia é um tratamento que usa radiação para destruir ou reduzir as células tumorais. Ela pode aparecer de forma isolada no tratamento, ou ser combinada com outras terapias, especialmente quando o tumor é maior ou se espalhou para tecidos próximos.

Quimioterapia

A quimioterapia usa medicamentos que circulam pelo organismo inteiro e atacam células que se multiplicam rapidamente – como as do câncer. Em muitos casos, ela é associada à radioterapia para aumentar a eficácia do tratamento.

Terapias combinadas

Em casos nos quais a doença está em estágios mais avançados, a equipe responsável pelo caso pode indicar uma combinação de terapias. A escolha depende das características do tumor e da avaliação individual de cada paciente.

No vídeo abaixo, explico em mais detalhes como funciona o tratamento do câncer:

 

Prevenção

A prevenção do câncer de colo do útero envolve principalmente a vacinação contra HPV e o rastreamento regular de lesões pré-cancerosas usando o papanicolau nas consultas ginecológicas.

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a infecção pelos tipos de HPV responsáveis pela maioria dos casos de câncer. No Brasil, o Sistema Único de Saúde oferece a vacina para meninos e meninas entre 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual, quando a resposta imunológica é mais eficaz. Pessoas mais velhas podem ser imunizadas, mas pelo sistema particular de saúde.

Vacinar meninos, inclusive, é importante porque eles podem transmitir o vírus além de desenvolver doenças associadas a ele. Além disso, mesmo quando aplicada mais tarde, a vacina ainda pode trazer benefícios ao reduzir o risco de novas infecções.

Outra estratégia essencial é o rastreamento do câncer cervical por meio do papanicolau, exame preventivo. O teste deve ser realizado regularmente por mulheres que já têm vida sexual ativa.

Por fim, é importante evitar também o tabagismo e o sexo desprotegido, visto que esses são outros dois fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

Diagnóstico precoce e bom acompanhamento são as chaves para a cura

O diagnóstico precoce tem grande impacto nas chances de cura. Quando identificamos o câncer de colo do útero nas fases iniciais, as possibilidades de tratamento eficaz aumentam de forma significativa, e muitas pacientes conseguem alcançar a cura.

É importante contar com um médico oncologista que integra a experiência da clínica médica ao cuidado oncológico, oferecendo uma visão integral da saúde do paciente. Além disso, o acesso a informações claras e acompanhamento próximo ajudam a melhorar a adesão ao tratamento e os resultados terapêuticos.

Mais sobre câncer de colo do útero

Quais são os principais sintomas do câncer de colo de útero?

Os primeiros sintomas podem incluir sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento após relações sexuais, corrimento persistente e dor pélvica. No entanto, muitas pacientes não têm sintomas nas fases iniciais da doença – e, por isso, o rastreamento na consulta ginecológica é essencial.

A vacina contra HPV realmente previne câncer de colo de útero?

Sim, a vacina protege contra os principais tipos de HPV associados ao câncer cervical e já demonstrou reduzir de forma significativa tanto infecções pelo vírus quanto o surgimento de lesões pré-cancerosas em populações vacinadas.

Quem deve fazer o exame papanicolau e com que frequência?

O exame deve ser feito por mulheres que já iniciaram a vida sexual. A frequência varia conforme orientação médica, mas geralmente recomenda-se realizá-lo anualmente para detectar de forma precoce alterações no colo do útero.