O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil. Aqui, a boa notícia é que também é um dos mais detectáveis quando se sabe o que observar e, quando encontrado cedo, as chances de cura são altas. Ainda assim, uma forma específica desse câncer merece atenção redobrada: o melanoma.
Diferente dos outros tipos de câncer de pele, o melanoma maligno tem maior potencial de se espalhar para outros órgãos. Por isso, conhecer seus sinais de alerta e entender como funciona o diagnóstico de melanoma podem fazer diferença real no prognóstico. Entenda abaixo mais sobre os sintomas de melanoma, os fatores de risco, as opções de tratamento e por que o rastreamento de câncer de pele salva vidas.
Melanoma: o que é, sintomas e mais
O melanoma tem origem nas células responsáveis por produzir melanina, pigmento que determina a cor da pele. Assim, ele costuma aparecer como uma mancha ou pinta na pele, mas pode surgir também em mucosas e até mesmo sob as unhas.
O que diferencia o melanoma de outros cânceres de pele, como carcinoma basocelular e espinocelular, é a agressividade dele. Enquanto os demais crescem localmente e raramente se espalham, o melanoma tem maior capacidade de invadir tecidos, afetar linfonodos e até órgãos distantes, como pulmões e cérebro. Por isso, a detecção precoce é tão decisiva nesse caso.
Fatores de risco para melanoma
Qualquer pessoa pode desenvolver melanoma, mas alguns perfis concentram maior risco. Nesse contexto, os principais fatores de risco para melanoma incluem:
- Pele, olhos e cabelos claros;
- Histórico pessoal ou familiar de melanoma;
- Exposição solar intensa e repetida, especialmente em queimaduras na infância e na adolescência;
- Uso de câmaras de bronzeamento artificial;
- Grande número de pintas no corpo (mais de 50);
- Sistema imunológico comprometido por doenças ou medicamentos;
- Vitiligo e albinismo.
Aqui, é importante frisar que a radiação solar tem efeito cumulativo. Por isso, a proteção solar desde a infância reduz diretamente o risco de câncer de pele ao longo da vida, e isso vale para todos os tipos de pele, não só as de tom mais claro.
Sinais suspeitos
Os sintomas de câncer de pele do tipo melanoma costumam aparecer primeiro na superfície da pele, e é justamente aqui que a atenção pode fazer a diferença. Nesse contexto, os principais sinais de melanoma a se observar são:
- Uma pinta ou mancha nova que parece diferente das demais;
- Uma lesão com bordas irregulares, mais de uma cor e tendência a crescer;
- Uma pinta já existente que muda de tamanho, forma ou cor;
- Coceira, ardência, descamação ou sangramento em uma lesão de pele;
- Uma ferida que não cicatriza em um período de quatro semanas.
Aqui, vale reforçar que nem toda pinta escura é melanoma, e que a maioria das pintas é benigna. O que chama mais a atenção são mudanças: qualquer alteração em uma lesão já conhecida ou o surgimento de algo claramente diferente do restante da pele são fatores a se observar com cautela.
Regra ABCDE: o que é?
Para facilitar a identificação de pintas suspeitas, dermatologistas criaram uma regra prática amplamente usada: o ABCDE do melanoma. Aqui, cada letra representa uma característica a se observar em uma pinta ou lesão:
- A – assimetria: metade da pinta é diferente da outra;
- B – bordas: as bordas são irregulares, recortadas ou mal definidas;
- C – cor: a lesão tem mais de uma cor, como tons de castanho, preto, vermelho, branco ou azulado;
- D – diâmetro: a lesão tem mais de 6 milímetros;
- E – evolução: a pinta muda de tamanho, forma, cor ou começa a coçar e sangrar.
Dessa forma, a regra ABCDE funciona como um guia de autoexame. Ter um ou mais desses sinais não é motivo para pânico, mas justifica uma consulta médica para investigar com segurança.
No vídeo abaixo, explico mais sobre as características de pintas e manchas suspeitas:
Diagnóstico
O diagnóstico de melanoma começa com o exame clínico da pele. Em muitos casos, o médico usa a dermatoscopia, exame feito com um aparelho que permite visualizar camadas mais profundas da pele invisíveis a olho nu. Esse exame amplia a precisão da avaliação e ajuda a distinguir lesões benignas de suspeitas.
Quando a dúvida surge, o próximo passo tende a ser a biópsia, ou seja, a retirada de uma pequena amostra de tecido para análise laboratorial. Essa é a etapa capaz de confirmar ou descartar o diagnóstico com precisão.
Se houver a confirmação do melanoma, a equipe médica avalia então o estadiamento da doença, ou seja, o quão profundo o tumor penetrou na pele e se ele atingiu linfonodos ou outros órgãos. Esse estadiamento, então, orienta o plano de tratamento para melanoma.
ABCD são os quatro parâmetros usados para avaliar uma lesão de pele quanto ao risco de malignidade: assimetria, bordas, diâmetro e cores.
Tratamentos
As opções de tratamento para melanoma avançaram muito especialmente nas últimas décadas. Atualmente, o plano terapêutico depende do estadiamento do tumor, das características moleculares do câncer e das condições clínicas de cada paciente. Assim, o tratamento oncológico individualizado é a regra, e não a exceção.
Conheça abaixo as opções:
Cirurgia para melanoma
A cirurgia para melanoma é o tratamento principal na maioria dos casos, especialmente em estágios iniciais. Aqui, o procedimento padrão é a excisão ampla, ou seja, a remoção do tumor com uma margem de tecido saudável ao redor (geralmente de 1 a 2 centímetros). Isso ajuda a garantir que nenhuma célula cancerígena permaneça.
Em alguns casos, há também a biópsia do linfonodo sentinela, o primeiro linfonodo para o qual o melanoma poderia se espalhar em uma região específica. Esse exame ajuda a determinar se o câncer já se dispersou para além da pele. Se houver presença de câncer no linfonodo, a equipe avalia então a necessidade de tratamento e cirurgias complementares.
Imunoterapia para melanoma
A imunoterapia para melanoma representa um dos maiores avanços entre tratamentos de câncer. Ela atua estimulando o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e atacar as células tumorais (algo que, sozinho, o organismo frequentemente não consegue fazer com eficiência em casos de câncer).
Aqui, os principais agentes usados são os inibidores de checkpoint imunológico. Eles bloqueiam proteínas que os tumores usam para se camuflar contra as defesas do corpo – e, com o bloqueio dessa proteína, as células do sistema imune passam a identificar e destruir as células cancerígenas com mais eficácia.
Nos casos de melanoma avançado ou metastático, a imunoterapia transformou o prognóstico de uma doença historicamente difícil de tratar. Sendo assim, ela está entre as primeiras opções avaliadas pelo oncologista, frequentemente em combinação com cirurgias ou outros tratamentos.
Terapia-alvo
Cerca da metade dos melanomas tem uma mutação em um gene chamado BRAF. Nesse cenário, a terapia-alvo passa a ser uma opção, com medicamentos específicos que identificam e atacam células com essa alteração genética. Isso oferece menos impacto sobre células saudáveis – mas a indicação depende do perfil molecular do tumor, reforçando a importância do tratamento personalizado para câncer.
Radioterapia e quimioterapia
A radioterapia pode ser indicada em situações específicas, como no tratamento de metástases ou quando a cirurgia não é possível. Já a quimioterapia tem uso mais restrito no melanoma atualmente, especialmente com a chegada da imunoterapia e da terapia-alvo, que têm resultados superiores em muitos cenários.
Prognóstico e importância do rastreamento
O prognóstico do melanoma tem relação direta com o estágio em que a doença está no momento do diagnóstico. Quando a detecção é precoce e ele está localizado, sem impacto nos linfonodos, a taxa de sobrevida em cinco anos é de 99%. Nos estágios mais avançados, porém, esse número cai bastante.
Nesse contexto, o rastreamento do câncer de pele é uma das ferramentas mais eficazes disponíveis. Ele não é complicado, e começa com o hábito de observar a própria pele regularmente, aplicar a regra ABCDE a manchas e pintas e consultar um médico ao menor sinal de mudanças.
Além disso, a prevenção do câncer de pele passa também pela proteção solar diária, envolvendo especialmente o uso de filtro solar com fator adequado, roupas de proteção e o hábito de evitar exposição nos horários de pico da radiação ultravioleta. Essas medidas reduzem bastante o risco do câncer de pele ao longo da vida.
Para quem tem histórico familiar de melanoma ou perfil de maior risco, o acompanhamento com um especialista é ainda mais importante.
Dr. Paulo Franzoni: oncologista clínico em São Paulo
Formado pela Santa Casa de São Paulo, o Dr. Paulo Franzoni, oncologista, alia experiência em clínica médica e cuidados especializado em oncologia. Ele atua com foco em tratamento oncológico individualizado, avaliando cada paciente de forma integral para indicar a conduta mais adequada, incluindo prevenção e rastreio, bem como tratamento.
Como oncologista clínico em São Paulo e especialista em câncer, ele recebe pacientes em consultório na capital paulista para consultas de oncologia clínica e acompanhamento oncológico.
Mais sobre melanoma
Como identificar um melanoma na pele?
A forma mais prática de identificar um possível melanoma é aplicar a regra ABCDE a manchas e pintas. Observe assimetria (A), bordas irregulares (B), presença de mais de uma cor (C), diâmetro acima de 6 milímetros (D) e qualquer evolução (E), como mudança de tamanho, forma, cor, coceira ou sangramento. Qualquer um desses sinais de melanoma justifica uma consulta médica.
Toda pinta escura pode ser melanoma?
Não, e a maioria das pintas suspeitas é benigna. Aqui, o que deve chamar atenção não é apenas a cor em si, mas a mudança: uma pinta que muda de forma, cresce, passa a coçar ou sangrar merece avaliação. O diagnóstico de melanoma exige exame clínico e biópsia, e não pode ser feito por observação isolada.
O melanoma tem cura quando descoberto cedo?
Sim, o câncer de pele do tipo melanoma, quando detectado em estágio inicial e tratado adequadamente, tem taxa de sobrevida de 99% em cinco anos. Sendo assim, o câncer de pele tem cura, especialmente com diagnóstico antes do tumor se aprofundar na pele ou se espalhar para outros órgãos.
